domingo, 3 de junho de 2012

ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA: ATIVIDADES DE ENSINO PARA FACILITAR A APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL

Esta proposta foi publicada nos Anais da VIII Semana de Geografia: Geografia e a Questão Ambiental e V Jornada Científica do Curso de Geografia. ISSN 2238-3816, UENP, Cornélio Procópio – PR, 2012.
ALFABETIZAÇÃO CARTOGRÁFICA: ATIVIDADES DE ENSINO PARA FACILITAR A APRENDIZAGEM NO ENSINO FUNDAMENTAL
SARMENTO, Kelli Maiara
CAVALCANTE, Luana Thais
FERNANDES, Renata Gomes
SOUZA, Ana Paula Alves
OLIVEIRA, Jully Gabriela Retzlaf
Palavras-Chave: Geografia, Jogos, Escala.
INTRODUÇÃO
A Cartografia embora seja considerada complicada está presente no cotidiano das pessoas, desta forma basta um olhar cuidadoso para que se note sua presença. De acordo com Pissinati et al (2007),  ela pode ser observada em um traçado do campo de futebol, na posição das carteiras em uma sala de aula, até mesmo no simples fato de caminhar de um lugar para outro.
Quando se trata da aplicação da Cartografia no ensino de Geografia, esta deve ser trabalhada de uma forma em que facilite a aprendizagem das crianças, uma forma prática e de fácil compreensão.
A pesquisa nasceu da inquietação dos autores em buscar o porque tantos alunos terminam a Educação Básica sem saber ler um mapa. A busca da real deficiência na alfabetização cartográfica. A partir desses questionamentos pretendemos apresentar uma metodologia diferenciada para facilitar a alfabetização cartográfica No Ensino Fundamental, ressaltando atividades para ensinar este conteúdo. Pretende-se mostrar aos professores, que quebrando o tabu de que hora de estudar não pode brincar, pode auxiliar na compreensão da matéria. Atividades lúdicas podem tornar o estudo mais prazeroso.
Desse modo buscamos apresentar novos métodos para que os professores possam passar o conteúdo cartográfico, de um modo que esse não pareça ser um “bicho de sete cabeças”. Um modo divertido e que seja de fácil aplicação pelo professor.
Este artigo tem por finalidade apresentar atividades de ensino de alfabetização cartográfica para serem aplicadas no Ensino Fundamental, buscando facilitar a aprendizagem deste conteúdo, através de formas lúdicas, simplificadas e com materiais de fácil acesso às crianças.
Para realização deste trabalho foram feitas leituras de bibliografias especializadas no assunto e criação de atividades de ensino de alfabetização cartográfica para serem aplicadas no Ensino Fundamental. Para verificar a aplicabilidade das atividades elaboradas as mesmas foram aplicadas a um criança que cursa o 6º ano do Ensino Fundamental II.
O ENSINO DE GEOGRAFIA E A ALFABETIZAÇÃO CARTOGRAFICA
A Geografia é uma ciência que ajuda a ler o mundo, como caracteriza Callai,
Ler o mundo da vida, ler o espaço e compreender que as paisagens que podemos ver são resultados da vida em sociedade, dos homens na busca da sua sobrevivência e da satisfação da suas necessidades. Em linhas gerais, esse é o papel da Geografia na escola (2005, p. 228-229).
A Cartografia tem que andar junto com a Geografia. Essas duas precisam estar ligadas. Pontos da Cartografia como orientação e localização podem ajudar a entender os conteúdos da Geografia. Castellar e Vilhena (2010) deixam claro essa idéia quando afirmam que é muito importante o letramento Geográfico iniciar a partir das noções cartográficas.
Para terem essa leitura do mundo, as crianças não podem ser alfabetizadas com uma Geografia Tradicional. Onde essa disciplina não passa de relatos e dados, uma matéria passada para que os alunos decorem os dados, e que esses para mais nada serviriam em sua vida. Para tanto uma forma mais dinâmica e interessante de ensinar tem que ser adotada. Os professores tem que estar preparados para mostrar a importância da Geografia e o quanto esta faz diferença em nossa vida.
Com a Cartografia não pode ser diferente, essa tem que ser ensinada usando materiais que estão ao alcance dos alunos, para que eles possam ver que essa não é uma matéria complicada e que está presente em seu dia-a-dia.
Ao contrário do que muitos pensam, a Cartografia pode sim e deve ser ensinada na Educação Básica. O aluno tem desde as Séries Iniciais até o final do Ensino Médio para aprender a fazer a correta leitura de um mapa e aproveitar de todos os recursos que esse fornece.
De acordo com Antunes (2010), o aluno deve aprender a ver um mapa, e não simplesmente olhá-lo. Ver o mapa é olhar para ele e analisá-lo e assim ler todas as informações que esta sendo representada. Dessa maneira o aluno precisa ter conhecimento da simbologia cartográfica.
Segundo Katuta (1997), para que possamos fazer a leitura de um mapa temos que ser alfabetizados, assim como na linguagem escrita. Ainda que a linguagem cartografia seja considerada especifica, necessita-se do mínimo de compreensão desta.
Quanto ao papel do professor alfabetizador cartográfico Antunes (2010) deixa bem claro seu dever “[...] Inclui oferecer elementos para que a criança, e depois o adolescente, compreenda o processo necessário para a realização de um mapa e, sobretudo porque eles são feitos e porque a Geografia não pode dispensá-los.” (p. 66).
Uma maneira de facilitar a alfabetização cartografia da criança, é o uso de brincadeiras, trabalhos mais dinâmicos, para que assim o aluno possa ver a matéria de uma maneira mais atraente. Como descrito por Callai (2005), “Ao caminhar, correr, brincar, ela está interagindo com um espaço que é social, esta ampliando o seu mundo e reconhecendo a complexidade dele.”
Muitas vezes o ensinar Cartografia, pode vir de onde o aluno menos imagine. A amarelinha, o esconde-esconde, por exemplo, são brincadeiras que as crianças conhecem. E é com elas que os professores podem ensinar.
Isso fica claro no conceito de Oliveira (1978 apud PISSINATI et al, 2007), para essas brincadeiras são exigidas alguns requisitos espaciais, como a representação no caso da amarelinha, ou a localização para o esconde-esconde.
Katuta (1997) deixa claro que o que tem ocorrido é a desmotivação para que o aluno aprenda a Cartografia. Pois somente o uso de mapas com escalas pequenas, os fornecidos pelos livros didáticos, não estimula a curiosidade paras os fatores da área que esta sendo estudada. Esse é usado apenas como objeto para cópia. Por outro lado, cabe aos professores estimular seus alunos a aprenderem a ler um mapa, a fazer que com exista a alfabetização cartográfica. Não pode ser aula de mapa, e sim uma aula com mapa. O mapa tem que fazer parte da aula, ele tem que ser um recurso a ser usado.
Antunes (2010) mostra alguns procedimentos de análise e interpretação de Cartas Geográficas (quadro 01);

1)    Verifique se você sabe interpretar todos os signos da legenda do mapa.
Na legenda existem vários símbolos e suas convenções. Esses símbolos são internacionais, procure decodificá-los.
2)    Experimente sua capacidade em transferir os signos para o espaço.
Saiba que o mapa é o “retrato” simplificado do espaço. Transfira os signos para o espaço real, idealizado.
3)    Observe a rosa dos ventos e descubra os pontos cardeais no espaço.
A rosa dos ventos é elemento essencial em todo mapa. Aprenda a transferir as direções do mapa para o espaço idealizado.
4)    Caso o mapa não apresente a rosa dos ventos, saiba buscar elementos para construí-la.
Preocupação excessiva com a simplificação pode omitir a rosa dos ventos. Não aceite essa omissão procure construí-la.
5)    Tenha sempre uma bússola em mãos e saiba usá-la em todo o mapa consultado.
As direções expressas na rosa dos ventos se especializam com o uso da bússola. Ao estudar o mapa, idealize as direções reais.
6)    A escala é um elemento essencial em todo mapa. Saiba decifrar seu conteúdo e transformar as distâncias.
Uma foto de uma pessoa é sua representação em escala. Ao ver a foto você deve perceber a dimensão real da pessoa. O mapa exige igual procedimento.
7)    Saiba identificar os signos do mapa em sua dimensão real usando a escala.
A escala não deve ser usada apenas para avaliar distância, mas também para a compreensão dos tamanhos dos símbolos.
8)    Saiba interpretar a projeção cartográfica utilizada e adapte a interpretação do espaço aos limites impostos por essas projeções.
Como toda carta geográfica representa uma superfície esférica – o globo terrestre – em um espaço plano, as deformações são inevitáveis. Saiba compensá-las.

Quadro 01 - Procedimentos de análise e interpretação de Cartas Geográficas.

Segundo o autor acima citado, estes procedimentos facilitará a leitura, a compreensão das informações contidas no mapa. Esses são alguns requisitos mínimos para que se realize a leitura de mapas.
Assim, como ocorre a alfabetização da criança, aprendendo a ler e a escrever, tem que haver a alfabetização cartográfica. Essa é importante também desde as séries iniciais, dessa forma quando o adolescente chegar ao Ensino Médio, nas séries finais, estará apto a ler um mapa.
Atividades Para Ensinar Alfabetização Cartográfica no Ensino Fundametal
Com base nas reflexões feitas anteriormente foram prepararas algumas atividades para ensinar alfabetização cartográfica no Ensino Fundamental e a seguir as mesmas serão apresentadas: Atividade 01 – construção de uma maquete do quarto; Atividade 02 - Jogo batalha naval e Atividade 03 - Escala cartográfica utilizando a fotografia.
Atividade 01 - construção de uma maquete do quarto. Objetivo da atividade: trabalhar a escala cartográfica e a construção de legenda. Esta atividade será desenvolvida da seguinte forma: 1) em casa a criança fará o mapa mental de seu quarto, destacando o posicionado dos moveis (figura 01). Desta forma, a criança participa do processo de mapeamento ao fazer a transposição da imagem do real para o plano bidimensional, além de demonstrar a compreensão do espaço em sua volta, como afirma Nogueira (2005) “Os mapas mentais nos revelam como os lugares estão sendo compreendidos.” 2) na aula seguinte o aluno trará uma caixa de sapato e algumas caixinhas como de remédio, fósforo, tampinhas entre outros materiais e dentro da caixa de sapato irá confeccionar uma maquete do quarto a partir do mapa mental, passando da representação bidimensional para a tridimensional (figura 02).
Materiais usados: Folha A4; caixa de sapato; caixinhas de remédio; caixinha de fósforo; cola bastão; tesoura sem ponta; palitos de dentes; tampinhas de garrafa; papel de presente; canetinha. Duração da atividade: Duas aulas.



Atividade 02: Jogo batalha naval. Objetivo da atividade: trabalhar a noções de coordenada geográfica. As regras deste jogo consistem em: cada aluno terá dois tabuleiros, em um será marcada a sua jogada (marcada a disposição das armas) e em outro será marcada a jogada realizada no tabuleiro do adversário, duas armas não podem se tocar, cada jogador tem direito a três tiros, sendo esses indicados pelas coordenadas geográficas (figura 03). A cada tiro o adversário deve avisar se foi acertado ou não uma arma dele. Uma arma é afundada quando todas as casas correspondentes forem acertadas. O jogo termina quando todas as armas de seu oponente forem afundadas. Armas disponíveis: 5 Hidraviões, 4 submarino, 3 Cruzadores, 2 encouraçados e 1 porta aviões (Figura 04).  Assim o aluno aprenderá a dinâmica das coordenadas a cada jogada feita.
Materiais usados: Dois tabuleiros para cada aluno.
Duração da atividade: Uma hora aula.

Atividade 03 – Escala cartográfica utilizando a fotografia. Nesta atividade será abordado a redução feita do tamanho real – altura do aluno para o desenho – fotografia do aluno. 1) inicialmente, o aluno deverá se posicionar em frente a um papel Kraft que tenha seu tamanho e com ajuda dos colegas da sala pedir a estes que façam um contorno de seu corpo na folha (figura 05); 2) posteriormente o aluno deverá posicionar uma foto de corpo inteiro no canto inferior da folha que tem o seu desenho em tamanho real a fim de verificar quantas vezes o real foi reduzido para caber na foto. Desta forma a criança consegue construir o conceito de escala, vendo a questão da redução da escala de perto, e assim compreender como essa é feita.
Materiais usados: Foto 10x15 de corpo inteiro; canetinhas; papel Kraft;
Duração da atividade: Duas aulas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
De acordo com o estudo de caso feito, chega-se a conclusão de que tem maneiras de fazer com que haja uma boa alfabetização cartográfica. De que não pode ficar preso ao tradicionalismo. É possível ensinar Geografia de maneira mais dinâmica e interessante que desperte a atenção dos alunos e os levem à participação ativa na sala de aula.
Observa-se que as atividades propostas estimulam a curiosidade e o interesse dos alunos. O jogo prende a atenção da turma e o aluno fica envolvido com a brincadeira. É um modo prazeroso de estudar. Não é mais apenas a obrigação, o comprimento de tarefas e sim diversão. O artigo deixa claro que o ensino da cartografia no Ensino Fundamental, não é tão complicada. Pois a criança esta conhecendo os conceitos cartográficos de forma prazerosa. Além disso, com o passar dos anos, tendo uma alfabetização Cartográfica correta, até o final do Ensino Médio teremos alunos aptos a lerem e interpretarem os mapas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, C. Geografia e Didática. Petrópolis: Editora Vozes, 2010. p.64.
CALLAI, H. C. Aprendendo a ler o mundo: a Geografia nos anos iniciais do Ensino fundamental. Cadernos CEDES, 25(66), p. 227-247, Aug., 2005.
CASTELLAR, S.; VILHENA, J. Ensino de Geografia. São Paulo. Cengage Learning, 2010. p.24.
KATUTA, A. M. A linguagem cartográfica no ensino superior e básico. In.: PONTUSCHKA, N. N.; OLIVEIRA, A. U. de (Orgs.). Geografia em Perspectiva: Ensino e pesquisa. Edição? Local? 2005. p.134.
______. Uso de mapas = Alfabetização cartográfica e/ou leiturização cartográfica. Nuances, Presidente Prudente, v. III, p.42, set. 1997.
NOGUEIRA, A. R. B. Mapa Mental: Recurso didático para o estudo do lugar. In.: PONTUSCHKA, N. N.; OLIVEIRA, A. U. de (Orgs.). Geografia em Perspectiva: Ensino e pesquisa. Edição? Local? 2005. p.125.
PISSINATI, M. C.; ARCHELA, R. S. A alfabetização cartográfica: Simples e prática. In: CALVENTE, M. C. M. H.; ARCHELA, R. S.; GRATÃO, L. H. (Orgs.). Mútiplas Geografias: Reflexão – pesquisa – reflexão. Volume IV. Londrina, 2007, p.114 – 115.

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