segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE CAMPO

CLAUDIMIR VIECO ITO
Graduando do curso de Geografia da UENP
VALÉRIA CRISTINA DE SOUZA
Graduando do curso de Geografia da UENP
JULLY GABRIELA RETZLAF DE OLIVEIRA
Orientadora e Professora do Curso de Graduação em Geografia da UENP

A utilização do trabalho de campo como ferramenta de aprendizagem é de fundamental importância para que o aluno possa compreender melhor as relações existentes entre a disciplina apresentada em sala de aula e a sua real aplicação na realidade. As noções próprias do processo ensino-aprendizagem fornecem recursos e instrumentos para que possam interagir com seu meio ambiente. O incentivo a construção coletiva do conhecimento (trabalhos em grupos) nos trabalhos de campo, privilegia a evolução sócio-afetiva do aluno e promove uma transformação no cotidiano escolar. Portanto, o trabalho de campo se caracteriza como uma ferramenta fundamental para o aluno, fazendo com que este tenha um maior conhecimento das questões ambientais que estão ao seu redor, contribuindo para que desenvolva uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações. Em outras palavras, construir o conhecimento a partir da realidade, sobre a realidade e para então transformar esta realidade. Pode-se aproveitar também o trabalho de campo para trabalhar com os alunos os conceitos de cartografia, iniciando com um conhecimento prévio dos mapas e a área a ser estudada, de forma a se familiarizar com o local de estudo, fazendo com que estes possam compreender melhor as questões que envolvem o espaço geográfico. Com isso os alunos poderão ter um conhecimento inicial do lugar a ser visitado, identificando suas peculiaridades através dos mapas, adquirindo capacidades de interpretar mapas e relatar em linguagem cartográfica suas experiências do campo.
O trabalho de campo é importante para todas as áreas de conhecimento, um trabalho em conjunto pode fazer com que os alunos venham a ter maior interesse pelas disciplinas e se bem aplicados trarão resultados para todos os envolvidos nesta empreitada rumo ao conhecimento. Para BORTOLOZZI (1992) a Geografia assume diversos papéis: "aprender a se organizar no espaço, organizando-o; conhecer-se e inserir-se no espaço, conhecendo-o; fazer se respeitar no espaço, respeitando-o". Ainda segundo a autora, cabe ao professor de Geografia "reforçar a técnica da problematização em sala de aula; estimular o diálogo, tirando o aluno da passividade diante da imagem do espaço, levando a agir sobre este; adaptar seus instrumentos e técnicas a partir das necessidades dos alunos e da comunidade”. Aproveitar a paisagem local e estudar a comunidade não é um método fácil, de ensino mais é uma rica oportunidade de aprendizagem. “A geografia é mais interessante, mais real e mais viva quando a realidade existente na comunidade é estudada.” (THRALLS 1995, apud, Jensen, op.cit., 190). Não tem por que não propormos trabalhar o espaço geográfico, a dinâmica da natureza e a educação para o meio ambiente, especialmente com as técnicas de trabalho de campo. Segundo AJARA (1993) dentre as diversas ciências que possuem interfaces diretas com a questão ambiental, a Geografia muito tem a contribuir com a Educação Ambiental, no que se refere à reflexão e prática através do ensino e pesquisa sob um ponto de vista que lhe é específico: a incorporação do aspecto espaço-território, nas questões ambientais. Por isso cabe ao professor de Geografia informar o aluno sobre as questões ambientais que fazem parte da realidade do local que vai ser trabalhado, uma vez que o aluno só terá um maior esclarecimento das questões referentes ao que aprendeu em sala de aula quando este for ao campo e observar na pratica os conceitos que aprendeu em sala. Na experimentação, o aluno poderá colocar este conhecimento acumulado à disposição da conservação, através da Educação Ambiental. Para que se possa realizar uma boa aula de campo alguns procedimentos devem ser realizados com o intuito de fazer com que a aula possa ter o melhor rendimento possível tanto para os alunos como para a equipe que por ventura venha a participar da elaboração da aula, portanto antes de seguir com os alunos a campo o planejamento de como está será deve ser realizado. Inicialmente, o professor deve fazer uma relação da sua viagem com os conteúdos trabalhados em livros acerca da matéria a ser ministrada. É importante ressaltar que o suporte teórico e a introdução de materiais auxiliares condizentes com a pesquisa a ser realizada dão aos alunos subsídios para sua concentração e estimulo no estudo como um todo, facilitando a prática. O uso de material didático com imagens do assunto abordado dá uma melhor visualização para confrontação e ligação do cotidiano ao cientifico. O docente deve então, quando ainda não conhecer ou houver muito tempo desde sua última incursão, fazer uma viagem prévia ao local a ser visitado, coletando informações quanto aos melhores pontos de parada que tenham relação com o assunto ministrado e a segurança que será necessária para que a aula transcorra sem problemas, se haverá a necessidade de monitores, quantos, qual o tempo necessário em cada parada, até qual horário os alunos podem permanecer no local, limites de aproximação de locais perigosos, entre outras variáveis. A quantidade de alunos que serão conduzidos, o transporte, sempre ressaltando a segurança, a alimentação e os horários pré-definidos são pontos primordiais que os professores devem levar em consideração para que a aula funcione sem que haja situações de problemas que poderiam ter sido evitados com planejamento prévio. O conteúdo teórico deve ser ministrado aos alunos em sala de aula, utilizando várias aulas se necessário for, devendo o professor sempre enfocar o que da matéria ministrada será visualizado na aula de campo e em qual ponto, dando aos alunos a sensação de segurança que o seu professor tem na disciplina e na aula que será ministrada, entendendo eles que não será um simples “passeio”. Desta forma, tudo o que mencionado e abordado em campo, será de inteiro conhecimento dos alunos, podendo estes associar a teoria estudada com a prática no contato com a realidade. Tendo o professor transmitido todo o conhecimento teórico necessário, este deve, juntamente com os alunos, fazer o planejamento da aula de campo. Deve-se fazer um levantamento do roteiro e dos pontos de observação considerando os itens que os alunos acharem relevantes, quais as comparações pertinentes, quais as amostras a serem coletadas e quais os principais pontos de estudo. Os alunos devem seguir para a aula de campo instruídos sobre a forma que será avaliada, se através de relatório de aula, montagem de maquetes, croquis, experiências práticas em sala, ou qualquer outra pertinente ao conteúdo que o professor deseja que seja adquirido. Feito isso, a aula de campo seguirá como planejada, lembrando sempre de tentar antecipar eventuais problemas que possam surgir, a fim de minimizar perdas de aprendizado. O engajamento dos alunos, a proposição de saberes, habilidades e competências e a avaliação antes, durante e a após a “visita-ação” podem garantir êxito na medida em que fica vinculado o prazer e o aprendizado. Todas as experiências práticas vivenciadas pelos alunos servirão de acréscimo ao seu conhecimento sobre o tema estudado. Em aula posterior, deve o professor fazer, junto com os alunos, a avaliação do campo, uma vez que após a ida ao campo é que os alunos irão levantar os pontos favoráveis e as possíveis falhas ocorridas, a fim de que possam ser corrigidos os problemas que por ventura sejam detectados em aulas futuras. Considerando, especialmente, se os objetivos foram alcançados. Desta forma, a presente proposta de trabalho de campo torna-se um componente dinamizador e transdisciplinar capaz de unificar as diferentes áreas componentes da grade curricular presentes nos diferentes PPP (Projetos Políticos Pedagógicos) das unidades de ensino.

Palavras Chave: Geografia, Educação Ambiental, Trabalho de Campo, Lugar, Paisagem, Região, Território e Espaço.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AJARA, César. A abordagem geográfica: suas possibilidades no tratamento da questão ambiental. In: Geografia e Questão Ambiental. Rio de Janeiro: IBGE, 1993.
BORTOLOZZI. A. O Papel da Geografia no contexto da Educação Ambiental escolar: um estudo de caso. 1992. 84 f. Dissertação (Mestrado em Educação)- Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. PUC, São Paulo, 1992
LACOSTE, Y. A pesquisa e o trabalho de campo: um problema político para os pesquisadores, estudantes e cidadãos. Seleção de Textos-AGB, n.11, p.1-23, 1985.
PONTUSCHKA, N.N. et al. O Estudo do Meio como trabalho das práticas de ensino. Boletim Paulista de Geografia – AGB/SP, n.70, p. 45-52, 1992.
RODRIGUES, A.B. Guia Metodológico de Trabalho de Campo em Geografia. Revista do Departamento de Geociências, vol.10 nº 1- Jan/Jul. Londrina, UEL, 2001.
RUELLAN, F. O Trabalho de Campo nas Pesquisas Originais de Geografia Regional. Revista Brasileira de Geografia/IBGE, n. 1, p. 35-45, jan./mar. 1944.
THRALLS, Zoe A. O Ensino da Geografia. Universidade de Pittsburgh. 1965.

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